Outro dia minha mãe foi convidada pra escrever em um blog sobre mães bem sucedidas profissionalmente. Apoiei, acrescentando que achava curioso como essa palavra era a que a definia melhor, “mãe”.
“Ainda bem”, ela falou, sorrindo. “É o que eu sempre quis ser na vida”.
Mas ela não é uma mãe padrão, aquela mãe que te obriga a levar um casaquinho, a comer canjinha quando está doente, a escolher melhor o namorado porque aquele tatuado lá, ih, é esquisito. Ok, ela fez todas essas coisas. Mas também sempre me incentivou a andar descalça na terra. A provar comidas diferentes, a escolher profissão por amor, a torrar meu dinheiro com o que me alegrar e a trabalhar mais pra ter mais dinheiro pra torrar.
Minha mãe não é uma mãe como as outras. Não trabalhamos com moderação. Bióloga de campo, sempre me ensinou que se enfiar no mato é muito legal, e que perde tempo quem não viaja a toda oportunidade. E o que se deu de mim? Virei repórter de viagem. Na minha rotina, provo muita comida estranha, pego estrada, piso no chão descalça. Ela nem pode reclamar.
Melhor do que reclamar é superar a maluquice. E comprar, de um dia pro outro, passagem pra fazer uma visitinha à filha durante uma viagem de trabalho. Só porque deu vontade, só porque nos faz feliz. Taí, o que minha mãe me ensinou de melhor: como ser feliz.



