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Como ganhar dinheiro viajando pelo mundo

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Como ganhar dinheiro viajando pelo mundo

Se eu ganhasse um real pra cada vez que me perguntam como ganhar dinheiro viajando pelo mundo, eu já poderia viajar só de férias mesmo. Hahaha! É uma curiosidade natural de quem entra no meu Instagram e vê que eu estou sempre rodando por aí, e acho que faz todo sentido eu contar um pouco sobre como cheguei aqui – e como outras pessoas podem chegar também.

Refletindo sobre o assunto eu concluí que existem três caminhos meio claros pra se levar esse estilo de vida, em que viajar não é a apenas o objetivo do dinheiro que você ganha, mas também fonte. E só nisso eu já consigo deixar bem claro: quando uma viagem é uma fonte de renda, ela envolve muitas obrigações – e, invariavelmente, é muito diferente de uma viagem a passeio. Mas quem disse que não pode ser divertido?

Caminho 1 – torne-se um jornalista de viagem

Jornalista de viagem Raíra Venturieri
Jornalista de viagem só precisa de computador, wifi e um lugar inspirador

Esse foi o meu caminho, e vou contar pra vocês que não foi não tem sido fácil. Foram quatro anos de faculdade, três anos de estágio e mais alguns anos de trabalho bem mal remunerado pra juntar expertise, contatos e coragem pra tocar meu negócio como freelancer. Eu comecei a trabalhar na área em 2008, quando fui estagiária na revista Viaje Mais. Morar em São Paulo e estudar em uma faculdade conhecida, a Casper Líbero, me abriu muitas portas nesse começo. E estagiar em uma editora pequena também foi ótimo, porque logo de cara tive a oportunidade de viajar pra fora do Brasil e aprender na marra como ser repórter de viagem.

Ao longo desses quase dez anos eu trabalhei em outras revistas da área, fui repórter de campo do Guia Quatro Rodas e criei um aplicativo de viagem pro STB – Student Travel Bureau. Fiz muitas coisas diferentes dentro do escopo de viagem, que sempre me deram oportunidade de conhecer lugares novos e desenvolver habilidades diferentes. Por isso hoje eu acho mais vantajoso ser freelancer e oferecer projetos de conteúdo pra empresas em vez de trabalhar como repórter, que normalmente tem salário mediano e pouca possibilidade de evolução na carreira. Então, pensando bem, talvez o “caminho 1” não seja o mais prático se você estiver começando agora.

[Ps. Eu contei um pouco sobre minha experiência no Guia Quatro Rodas em 2013 neste post.]

Caminho 2 – torne-se um creator de viagem

Pedalar na orla de Daytona Beach, EUA
Saber retratar um estilo de vida interessante pode se tornar um negócio

Aí você me pergunta: precisa ser formado em jornalismo pra fazer o que você faz? A resposta é: não! Ter feito faculdade me ajudou sim, principalmente pelo networking e as oportunidades de estágio que tive. Mas a verdade é que escrever, fotografar, apresentar, se comunicar… São habilidades que dependem muito mais de você, do seu empenho e curiosidade, do que de alguém ensinar. Se você ama se comunicar, tem talento e está motivado, você tem tudo o que precisa pra começar seu negócio. Crie um blog, dedique-se a ter um Instagram bacana, comece a produzir vídeos! Se você não tem condições de viajar ainda, faça conteúdo sobre sua cidade, seus arredores, e tente crescer a partir disso.

Se você ainda não é um escritor/fotógrafo/filmmaker talentoso, trate-se de se tornar um. Aqui requer uma boa dose de autocrítica, ok? Mas é claro que não adianta muita coisa você começar um blog ou canal se seu conteúdo não for incrível. Não dá certo do nada! Então invista! Faça cursos, busque referências, estude por conta própria. Eu tenho muita facilidade pra escrever porque sempre li muito, mas nem sempre fui boa fotógrafa. Edição de foto então, vixe, só agora que estou ficando boa mesmo. Mas eu sou muito dedicada, curiosa, interessada – e não ligo de passar boa parte do meu tempo livre vendo tutoriais no YouTube, fuçando softwares, tentanto me aperfeiçoar sempre.

Eu também gosto de criar conteúdo na internet porque é algo muito mais pessoal do que escrever matérias de viagem. Eu posso falar em primeira pessoa, retratar minhas experiências, colocar um rosto no negócio, sabe? E isso só agrega valor e faz as pessoas se indentificarem mais! E a verdade é que a Internet é muito democrática. Se você se dedicar, postar com regularidade, interagir, fazer um conteúdo bom MESMO, pode ter certeza: você vai crescer. Pode ser que não fique famoso a ponto de fazer publipost e se tornar influencer, mas você pode conseguir chamar a atenção de marcas pra produzir conteúdo pra elas. É o que eu faço. 🙂

Caminho 3 – troque serviços por estadia em viagens

Trocar serviços por estadia no exterior
Com meus colegas de trabalho durante uma viagem para o Canadá

Esse é pra quem não quer produzir conteúdo, não tem nada a ver com isso, mas ainda assim que viabilizar um período sabático no exterior. Ou quer combinar as duas coisas! Você pode oferecer seus serviços em troca de hospedagem e às vezes até alimentação. Um site bem famoso que viabiliza essas trocas é o Worldpackers. Nele, você consegue filtrar qual destino te interessa, que tipo de serviço pode oferecer e até encontrar oportunidades de impacto social, como trabalhar pra ONGs e projetos de educação. Dá pra ficar horas fuçando o site e sonhando com as possibilidades! Não precisa pagar nada pra se inscrever, mas há a cobrança de uma taxa na hora de reservar.

Outro site similar é o Workaway, que tem uma pequena anuidade mas muitas oportunidades de trabalho no exterior: mais de 17 mil em 130 países. Tem de tudo: desde educação, jardinagem, cozinha… Até voluntariado com animais! Há também algumas vagas com remuneração (não só a troca), mas geralmente são valores pequenos. Se esse for seu plano de vida, vale a pena fuçar as oportunidades nesse site também! A desvantagem em relação ao Worldpackers é que o trâmite vai ser todo em inglês. Já vai treinando, né?

Outra opção ainda é tornar-se Au Pair, que é basicamente trabalhar como babá para uma família em outro país. O mais comum é ir pros Estados Unidos, trâmite que é facilitado por empresas de intercâmbio como o STB. Há uma taxa inicial para entrar no programa, em torno de US$ 400, mas esse valor deve ser restituído pelo seu salário em poucas semanas. Também há alguns pré-requisitos, como ter entre 18 e 26 anos e inglês intermediário. Mas se você gosta de crianças, tem experiência e está disposto a ficar pelo menos um ano fora, pode ser uma boa opção. Detalhe importante: a maioria das agências só aceita mulheres no programa.

Bônus: como ganhar dinheiro viajando e não falir

Depois de falar tudo isso, vem aquele adendo: eu tentei resumir algumas possibilidades que acho viáveis, mas isso não significa que elas sejam fáceis, e nem que elas devam ser sua ÚNICA fonte de renda. Eu também faço serviços de revisão de texto, fotografia e até de modelo pra complementar minha renda e conseguir guardar um dinheiro todo mês – instabilidade é o sobrenome dessa carreira, e não dá pra depender de cada job pra pagar as contas. Viver seu sonho e priorizar felicidade sobre dinheiro soa lindo, mas você precisa ou 1. economizar o máximo e fazer uma reserva pro futuro ou 2. encarar isso como uma experiência temporária na sua vida, como um sabático. Afinal, não estamos falando com herdeiros aqui, estamos?

Se você quer que viagem seja sua carreira, pense não só em como começar, mas também em como se manter nesse estilo de vida. E enriquecer, por que não!? Se quiser saber mais sobre o tema, tiver dúvidas ou insights, escreva nos comentários. Vou adorar me aprofundar sobre o assunto. Até a próxima!

 

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Author: Raíra Venturieri

Raíra Venturieri é jornalista, roteirista, escritora, filósofa de boteco e sim, bem tagarela. Foi repórter do Guia Quatro Rodas e tem matérias publicadas nas revistas Viagem e Turismo, Host & Travel e Viaje Mais, entre outras.



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