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As lições que já aprendi com a quarentena

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As lições que já aprendi com a quarentena

Entrando na minha terceira semana de quarentena, é a primeira vez que consigo reunir energia e ânimo pra escrever por aqui. E tá tudo bem. Vivemos um momento inédito, incerto e, francamente, muito trágico da nossa história. Se alguém disser que tem a fórmula e o segredo de como lidar com tudo isso, pode ter certeza: é um charlatão. Ou um iludido.

E olha que escrevo do alto do meu privilégio de uma pessoa que já estava acostumada a trabalhar em home office, que tem casa própria e geladeira cheia, que tem estabilidade financeira pra lidar com alguns meses de vacas magras e que, enfim, não tem nada do que reclamar. A quarentena não é igual pra todos e reconhecer isso é o primeiro passo para encarar os desafios que estão por vir com empatia e coragem pra contribuir mais.

Ser mais humanos é o que nos fortalece na quarentena

E, com isso, entro no ponto que me fez acordar do “transe de desânimo” que se abateu em mim no início desta quarentena. Como contribuir mais. Não é exagero afirmar que a crise do coronavírus tem afetado a forma como nos relacionamos, como vemos pequenos empreendedores, como adquirimos uma noção do que seria justiça social e como podemos fazer parte da construção de uma sociedade diferente – uma sociedade melhor.

Antes que venham me chamar de comunista, não estou aqui falando que descobrimos a cura da desigualdade social ou que temos plena responsabilidade por proteger os mais vulneráveis nesta situação toda. Ainda que, pela primeira vez, reconheço que eu tenha um pouco desta responsabilidade sim.

Às vezes não percebemos que, como consumidores, temos muito poder. Apoiar os pequenos negócios, encomendar refeições de restaurantes familiares, boicotar as grandes redes que demitem em massa mesmo com lucro acumulado de milhões. São exemplos de atitudes que podemos adotar hoje e que terão impacto na construção de um futuro melhor.

São atitudes que, aliás, sempre estiveram ao nosso alcance. Mas nunca paramos pra refletir. Como muitas outras atitudes que temos visto nesses dias de quarentena: oferecer ajuda a vizinhos que não podem se expor, compartilhar conteúdo na internet que ajuda nosso leitor, poupar do deslocamento funcionários que podem trabalhar de forma remota, dedicar tempo e atenção à família que normalmente delegaríamos pra outra pessoa.

Algumas mudanças impostas hoje serão escolhas conscientes amanhã

Nos últimos dias me peguei refletindo, de forma otimista, sobre como essas poucas semanas de crise já tiveram um impacto grande nos meus valores, prioridades e expectativas para o futuro. Eu estava cozinhando o almoço ao lado do meu marido, como temos feito todos os dias, e como fazíamos só em ocasiões especiais. Estava usando o manjericão da horta do vizinho, que me foi oferecido pelo grupo do WhatsApp do prédio que foi criado em meio à pandemia.

Vizinhos, aliás, com quem nunca havia conversado além do bom dia de elevador. E que, agora, além de compartilhar dicas, conselhos e cultivos de floreira, até nos presentearam com um artesanato feito pra nossa bebê que está por vir (com foto abaixo pra vocês verem que não é invenção, não).

Bordado para a Nina, feito por vizinhos durante a quarentena do coronavirus

Acho que, apesar das perdas e momentos difíceis, podemos extrair coisas boas desta crise toda. E este pensamento me dá muito mais gás para lidar com os dias de quarentena, a disciplina necessária pra manter a produtividade, a coragem pra encarar os inevitáveis boletos e até, já que toquei no assunto, a serenidade para receber o nascimento da Nina.

Coisas boas estão por vir. Só precisamos de paciência, serenidade e o coração aberto para aprender com tudo isso. Nos vemos do outro lado!

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Author: Raíra Venturieri

Raíra Venturieri é jornalista, roteirista, escritora, filósofa de boteco e sim, bem tagarela. Foi repórter do Guia Quatro Rodas e tem matérias publicadas nas revistas Viagem e Turismo, Host & Travel e Viaje Mais, entre outras.

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