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Os Velosos de cada dia

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Por que o Veloso é meu bar favorito em São Paulo (foto: Edu Cesar)

Não sou uma pessoa lá muito baladeira, mas se tem uma coisa que não resisto é a uma cerveja com amigos acompanhada de bons petiscos. Principalmente pelos petiscos. Melhor ainda se for uma coxinha cremosa, com casquinha sequinha, massa perfeita e recheio que derrete na boca. Hmmm! Nem precisava estar no título para você saber que eu me refiro ao Veloso, bar paulistano que sempre lidera rankings de coxinhas na capital brasileira da gastronomia.

O Veloso fica próximo ao metrô Ana Rosa e também é conhecido pelas caipirinhas caprichadas e feijoadas de sábado, que ficam ainda mais gostosas e exóticas se você for gordinho e pedir um escondidinho junto. O nome Veloso homenageia o tradicional bar carioca, eternizado por ter sido o local onde Vinícius de Moraes e Tom Jobim viram sua Garota de Ipanema. Mas nem tudo é perfeito e o Veloso também é conhecido por filas de espera enormes, que podem se estender por horas – sim, no plural. É um lugar bom pra ir com amigos desencanados, que não se importem de curtir os chopes e coxinhas em pé ou sentados na calçada.

Não há fila de espera ou dieta que supere a importância dessa coxinha

Fica na R. Conceição Veloso, 56. É aquela esquininha lotada de gente em frente à caixa d’água da Vila Mariana.

O original

Não é o Veloso dos poetas, mas também tem ar de bossa nova

A impressão que eu tenho é que as filas de espera são o maior ponto em comum entre o Veloso paulistano e o bar original, do Rio de Janeiro. O Veloso carioca mudou de endereço (o de Vinícius durou até 1967) e, por ter migrado para o Leblon, acabou abocanhando uma clientela muito mais coxinha do que a de São Paulo. Apesar de não servir a tão amada iguaria de frango. No Rio, playboys e gatinhas lotam a esquina onde fica o bar, porque aparentemente paquerar é mais importante do que sentar e ser feliz. Pra mim, lugar que não serve a coxinha perfeita não merece tanto tempo de espera. Espera que, quando fui em um domingo, era composta por três fileiras de nomes em uma folha sulfite. Ou 90 cm de nomes na minha frente, um coladinho no outro.

Foi por isso que desencanei e fiz parte do fluxo de pessoas que trocam a espera no Veloso por uma mesa na Cervejaria Devassa, na esquina seguinte. A escolha foi sábia e eu recomendo: o cardápio é variado e gostoso, assim como os chopes, que incluem a ótima weiss Sarará. Há várias unidades da cervejaria Devassa no Rio – até porque, certamente, a boemia carioca tem muito mais a ver com papo no bar do que balada de tuts tuts que paulistano adora.

O Veloso fica na R. Aristides Spíndola, 44, e a Cervejaria Devassa do Leblon fica bem do ladinho, na R. Rainha Guilhermina, 48.

 

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Author: Raíra Venturieri

Raíra Venturieri é jornalista, roteirista, escritora, filósofa de boteco e sim, bem tagarela. Foi repórter do Guia Quatro Rodas e tem matérias publicadas nas revistas Viagem e Turismo, Host & Travel e Viaje Mais, entre outras.

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